Sabe aquele dia em que você chega em casa exausto e tudo que o seu cérebro pede é ver carros capotando e coisas explodindo na TV?
Foi exatamente nesse clima de Domingo à noite que resolvi dar uma chance para *Vingança Brutal* (*Venganza*), o novo thriller de ação de 2026 sob o comando do diretor Rodrigo Valdes. O enredo não tem vergonha nenhuma de abraçar o clichê do ex-militar Carlos Estrada, que tem a esposa assassinada e resolve caçar os culpados de forma implacável. A sacada um pouco mais absurda é que o cara fica milionário da noite pro dia devido a uma reviravolta do destino bem forçada, torrando os milhões num arsenal de guerra pesado para equipar seu antigo esquadrão tático.
O que me deixou realmente curioso antes de apertar o play foi a escolha do ator principal para viver esse verdadeiro tanque de guerra humano.
Omar Chaparro passou boa parte da carreira nos fazendo rir, então vê-lo quebrando pescoços com uma cara de puro ódio e luto foi uma experiência, no mínimo, peculiar. Para a minha surpresa, o cara convence demais na fisicalidade, entregando uma coreografia dura, seca e sem aquele glamour acrobático irreal que a gente vê aos montes em Hollywood hoje em dia. Ele lidera um elenco de apoio que faz o feijão com arroz direitinho, com Alejandro Speitzer e Paola Nuñez adicionando um carisma extremamente necessário entre uma troca de tiros e outra na cidade.
Muito chumbo e pouca lógica
Apesar da ação empolgante, não demorou muito para os furos gigantescos do roteiro começarem a me incomodar de verdade durante a sessão.
O roteiro simplesmente sacrifica qualquer coerência narrativa em nome do espetáculo visual, criando situações onde os vilões incrivelmente esquecem como se atira só para o protagonista poder brilhar. Essa tal riqueza repentina do Carlos é jogada na tela com tanta preguiça que você precisa desligar completamente o censo crítico para conseguir engolir a justificativa maluca. Quando o filme tenta frear a matança para criar um drama emocional nos seus 103 minutos de duração, o ritmo despenca absurdamente e a trama fica girando em círculos até a próxima cena de pancadaria estourar.
E por falar em pancadaria desenfreada, deixo aqui um toque de amigo antes de você colocar a garotada sentada na sala de estar.
Como o próprio título deixa bem claro, a violência gráfica é pesadíssima e o sangue espirra na tela sem a menor cerimônia ou pudor durante a caçada. Se você é sensível a esse tipo de conteúdo mais gráfico ou quer conferir se rolam cenas de nudez e uso de drogas explícitas, joga o título lá no RavyFlow antes de assistir. O site é uma baita mão na roda para mapear todos os gatilhos e restrições de idade de forma rápida e super detalhada, evitando que você passe por aquele constrangimento absurdo no sofá de casa.
O veredito do entretenimento descartável
Voltando para a análise geral da obra, a nota média de 5.8 que o filme anda recebendo me parece uma avaliação justa e bem condizente com a realidade.
A cinematografia tenta emular aquele visual neon sujo das grandes franquias de ação atuais, e até consegue criar uns quadros maneiros com a Natalia Solián e o Luis Alberti cobrindo a retaguarda nas invasões táticas. Os efeitos práticos misturados com um CGI mediano seguram a onda, mas não espere absolutamente nada que vá revolucionar o gênero ou ficar na sua memória por mais de uma semana de forma impactante. Trata-se de uma jornada de vingança extremamente direta, rústica e muito barulhenta, sendo perfeita para desligar os neurônios por um tempo e curtir a adrenalina mastigada.
Se você curte uma galhofa violenta e não liga para roteiros rasos, prepara a bacia de pipoca porque a diversão de fim de noite está mais do que garantida.