Super Mario Galaxy: O Filme – O salto para o espaço valeu?
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Super Mario Galaxy: O Filme – O salto para o espaço valeu?

18 de abril de 2026

Eu ainda lembro da sensação bizarra de girar o controle do Wii pela primeira vez enquanto o Mario voava entre planetoides minúsculos.

Aquele sentimento de deslumbre com a trilha sonora orquestrada e a gravidade maluca foi o que me fez virar fã de carteirinha da franquia Galaxy, então minha expectativa para essa sequência cinematográfica estava no teto. Aaron Horvath volta para a cadeira de diretor e, olha, o cara sabe como entregar um espetáculo visual que agrada tanto a molecada quanto os marmanjos de trinta e poucos anos como eu. O filme já começa no ritmo máximo, sem perder tempo com apresentações longas, jogando a gente direto na confusão espacial que se forma logo após a calmaria no Reino dos Cogumelos.

Será que a Illumination conseguiu manter a magia sem deixar a fórmula saturada logo no segundo filme?

A estética do filme é um absurdo de linda, com cores que saltam da tela e uma iluminação que faz cada galáxia parecer um quadro pintado à mão, superando o que vimos no filme anterior. As texturas dos Lumas e o brilho da Rosalina trazem uma aura mística que diferencia bastante este capítulo daquela pegada mais urbana e terrestre do primeiro longa. Chris Pratt parece muito mais confortável na voz do encanador agora, deixando de lado aquela polêmica inicial e entregando uma atuação que soa natural e carismática, sem forçar a barra. Jack Black continua sendo o rei do show, trazendo um Bowser que oscila entre o ameaçador e o hilário com uma facilidade que só um talento como o dele conseguiria entregar.

O ritmo da narrativa é frenético, quase como se o filme estivesse com pressa de chegar ao próximo Power-up.

Com apenas 95 minutos, a gente sente que algumas subtramas poderiam ter um pouco mais de respiro, especialmente quando somos apresentados ao novo vilão intergaláctico que ameaça o cosmos. É aquele tipo de filme que você não consegue desgrudar o olho da tela, mas que, ao subir dos créditos, te deixa com uma leve sensação de que faltou um pouquinho mais de desenvolvimento emocional. A comédia funciona bem, focando muito em piadas visuais e na dinâmica clássica entre Mario e Luigi, que desta vez ganha camadas interessantes com o medo do Luigi sendo testado no vácuo do espaço. Anya Taylor-Joy como Peach continua sendo uma versão muito mais ativa e heroica da personagem, o que é sempre um ponto positivo nessa nova era.

Se você está planejando levar os pequenos ou quer ir com a galera, vale dar um pulo no RavyFlow para conferir os detalhes sobre nudez, violência ou drogas, garantindo que o filme esteja de acordo com o que você espera para a sessão antes mesmo de comprar a pipoca.

A trilha sonora é outro ponto que merece um destaque especial, misturando os temas clássicos de Koji Kondo com novos arranjos épicos.

Ouvir as notas de "Gusty Garden Galaxy" em uma sala de cinema com som surround é uma experiência que arrepia até quem não é tão ligado em videogames, trazendo um peso emocional gigantesco para as cenas de ação. O roteiro tenta equilibrar o fan service — que é abundante e vai fazer você caçar referências em cada frame — com uma história simples o suficiente para qualquer criança entender sem problemas. O problema mora justamente nessa simplicidade, já que o novo vilão, apesar de visualmente intimidador, não tem metade do carisma do Bowser e acaba servindo mais como um obstáculo mecânico do que uma ameaça real. Ainda assim, a aventura flui bem e entrega momentos de tensão que são resolvidos com aquela criatividade típica das fases do jogo.

No final das contas, a nota 6.8 que ele vem recebendo por aí parece ser um reflexo de uma expectativa alta demais.

O visual e a ambientação espacial

O design das galáxias A Illumination pegou o conceito de gravidade variável dos jogos e traduziu isso para o cinema de uma forma que não deixa ninguém tonto, mas mantém a diversão. Ver o Mario saltando de um pequeno asteroide para uma nebulosa gigante enquanto o fundo se move de forma dinâmica é de encher os olhos. Cada planeta visitado tem uma identidade visual própria, desde desertos de vidro até florestas flutuantes que parecem saídas de um sonho febril.

Rosalina e os Lumas A introdução da Rosalina era o que todo mundo queria e ela não decepciona, trazendo uma postura mais serena e poderosa que contrasta com a energia caótica dos outros personagens. Os Lumas são as estrelas da fofura e, obviamente, vão vender bonecos como se não houvesse amanhã, mas eles também servem para dar aquele toque de humor ácido em alguns momentos. A interação entre o Mario e a Estrela Mãe cria um laço legal, mesmo que seja construído de forma rápida demais para o meu gosto pessoal.

O filme acerta em cheio na diversão, mas tropeça um pouco na profundidade do roteiro.

Eu saí da sessão com um sorriso no rosto, mas pensando que eles poderiam ter arriscado um pouco mais na estrutura da história em vez de seguir a cartilha do herói tão à risca. É uma sequência sólida que expande o universo de forma inteligente e abre portas para spin-offs que eu certamente assistiria no dia da estreia. Se você busca entretenimento puro, nostalgia de alta qualidade e uma animação de ponta, o ingresso está mais do que justificado, só não espere uma revolução no gênero. A jornada espacial do Mario é um lembrete de que, às vezes, tudo o que a gente precisa é de uma aventura colorida e uma boa trilha sonora para esquecer dos boletos por uma hora e meia.

A gente se vê na próxima sessão, pessoal!