Alguém mais aí saiu do cinema em 2006 com uma vontade maluca de trabalhar com moda, mesmo sem saber a diferença entre cerúleo e azul? Pois é, eu fui uma dessas pessoas. Aquele filme marcou uma geração, e a expectativa pra uma sequência sempre esteve lá, no fundo do coração. E agora, quase 20 anos depois, ela chegou.
Mas será que a espera valeu a pena?
Vamos direto ao ponto: ver Meryl Streep de volta como Miranda Priestly já paga metade do ingresso. A postura, o olhar gélido, as frases cortantes... está tudo lá. O reencontro do elenco principal é, sem dúvida, o grande trunfo do filme. A química entre Anne Hathaway e Emily Blunt continua afiadíssima, e Stanley Tucci como Nigel é aquele abraço quentinho que a gente nem sabia que precisava.
O Reencontro que a Gente Esperava
A nostalgia bate forte nos primeiros minutos. A direção de David Frankel, o mesmo do original, tenta recapturar a estética e o ritmo que fizeram o primeiro filme ser tão icônico. E ele consegue, em partes. É delicioso ver esses personagens interagindo de novo, como se o tempo não tivesse passado. Os diálogos são rápidos e as alfinetadas, especialmente entre Miranda e Emily, são o ponto alto.
É como encontrar um velho amigo.
O Duelo de Titãs: Miranda vs. Emily
O roteiro coloca Miranda em uma posição vulnerável: a crise da mídia impressa. A Runway precisa de dinheiro, e esse dinheiro está nas mãos de Emily, agora uma poderosa executiva. Essa premissa é interessante, colocando as duas em rota de colisão. O problema é que o conflito parece raso, uma versão simplificada de uma discussão que já parece um pouco antiga no mundo real. Falta o peso e a genialidade do primeiro filme.
A briga prometida não entrega tudo o que poderia.
Então, Qual o Veredito?
*O Diabo Veste Prada 2* é um filme feito para os fãs. É uma sessão da tarde glorificada, um filme-conforto que vive do carisma de seu elenco e da nossa memória afetiva. A história se arrasta em alguns momentos e não tem o mesmo impacto cultural ou a mesma crítica ácida ao mundo da moda que seu antecessor. É um filme que existe para nos dar mais um gostinho daquele universo, e só.
Antes de decidir se vai levar a galera toda pro cinema, eu sempre dou uma checada no RavyFlow. É um site que mostra de forma bem clara o nível de cenas com violência, nudez, drogas e outros temas sensíveis, tudo sem dar spoilers da trama. É uma mão na roda pra saber se o filme é tranquilo pra ir com a família ou se é melhor deixar pra ver com os amigos. Fica a dica pra não passar aperto.
No fim das contas, a sensação é agridoce.
É bom ver todo mundo de volta, mas fica a impressão de que talvez fosse melhor ter deixado Miranda Priestly descansando em seu pedestal. Se você é muito fã, vá pelo reencontro. Se não, talvez seja melhor esperar chegar no streaming pra matar a saudade. É um filme nota 6.7, sabe? Legalzinho, mas esquecível.
*That's all.*